quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

“Os cães farejam medo”


Moro no centro há quase 26 anos. Ou pelo menos desde que me conheço por gente.
Santa Cecília, Campos Elíseos, Barra Funda ou Marechal, pode escolher o bairro do meu CEP, mas essas são suas possíveis opções.

Ao falar para amigos, colegas e conhecidos que moro ali, no foco, no centrão, na “cidade” como alguns chamam, muitos me perguntam: “Nossa deve ser foda morar ali né?”, “Você não tem um pouco de medo?”, “Eu acho que nunca conseguiria morar ali”, dentre outras perguntas e comentários.
Quando ouço isso, logo penso: “Você não sabe do que está falando.” E então pra alguns me dou o trabalho de explicar, assim como você que está lendo agora esse texto e vai entender um pouco essa vida de “centrista”.

Morar no centro é como estar numa escola da malandragem e comodismo ao mesmo tempo. Em alguns momentos você até se torna precavido demais ou neurótico quando vai para uma cidade pacata. Malandragem porque você tem que saber lidar com todo tipo de gente, a todo momento em diversas situações. E comodismo, porque você está perto de tudo, não tem costume de fazer compras do mês e pode buscar pão as 03:00 da manhã que está tudo certo.

Existem algumas “regrinhas” para se morar no centro, e por incrível que pareça, quando vejo alguém, eu percebo quem não é do centro, quem não mora na região. Como? Simples, pelas suas atitudes desesperadas ou pelas comportamento de “bobão”.
Um exemplo claro disso é quando estou dirigindo (a maior parte do tempo eu diria), ao avistar que o semáforo está para fechar, eu já reduzo a velocidade e mantenho uma distância da faixa de pedestres, sim, lá longe ás vezes, parando bem pra trás, você pode fazer isso, não há nenhuma lei do transito que vá te multar por isso! Assim, tenho um espaço bom para qualquer situação que possa acontecer, ficando mais fácil eu “dar no pé”, e evito que os “limpa vidros” / “Sujam vidros”(porque aquela água é mais suja que não sei o que)  se aproximem, pois eles vão ter que andar aquela distância, e quando você vai ver, tem o “bairrista” que passa por você, cola na faixa, se tornando alvo fácil, para supostamente limpar seu vidro, pedir dinheiro e afins... ai então, pessoa se borra de medo, e começa a acelerar pra cima da faixa, é de lei! E eu ali, na minha distância de boa, vejo e penso: “esse não manja nada do centro”.


É preciso “se ligar”, é preciso pegar as manhas e conhecer os pontos da cidade. Sei que isso leva tempo, ainda mais pra quem não mora ou convive lá, mas vai por mim, não fique “caçando borboletas”, faz cara de quem sabe tudo do centrão e se joga!

Nunca, eu disse, nunca, fui assaltada no centro. Quando mais nova vivia pra cima e pra baixo a pé, sem medo de ser feliz. Sempre com minhas precauções, claro. Mas sem medo de ir e vir. Porque ai está a chave do negócio: medo atrai. Como diria “O Rappa”: Os cães farejam medo.
Ande com a cabeça erguida, bolsa próxima de você, mas nada de enfiar a porra da bolsa tão próxima ao corpo que parece que está no seu colo feito bebê! Isso se torna um sinal de pouco conhecimento da região. Sério. São esses pequenos e bobos sinais que “caguetam” que você está fora do seu bairro, da sua área, “manja mano?” rs.
Ao andar de cabeça erguida, você vê as pessoas, você percebe de onde alguém pode vir. Cabeça abaixada ou dura que nem pau virada pra frente, vão te limitar. Saiba onde está, e quem está a sua volta, se previna, pense além.

Não tenha pressa demais, passos de “irmã de igreja” (porque usam saias que não deixam dar passos largos / nada contra) com cú na mão, é outro grande sinal de que está se “borrando” e se for assaltada não saberá nem pra onde correr. Ande firme, atento e confiante. Isso afasta quem pode pensar que você é um alvo fácil.

Ao se sentir ameaçado por qualquer situação ou pessoa, entre no comércio mais próximo, espere que a pessoa passe/desista, e então siga seu rumo, nada de desespero, demonstre “ligeirice”.

Rua escura? Sim, sempre bom evitar, afinal nem mesmo eu que moro no centro tenho visão noturna, do tipo verde, como em filmes. Mas também não é o fim do mundo e ninguém vai ficar ali esperando VOCÊ passar. Sim, porque muitas pessoas acham que no centro todo mundo está ali né, de bobeira só esperando o bote, e claro, esperando você (#sqn). Não, o centro não pára e as pessoas também não.

É isso, por enquanto.

Ah! Só mais uma coisa: utilize o farol alto, a noite, quando estiver passando no amarelo, ou até mesmo num cruzamento onde a preferencial é sua. As pessoas “cagonas” que estão andando no centro - tá bom vai, cagonas não, com pouca experiência - elas sempre aceleram e não esperam o seu sinal fechar por completo para que possam cruzar. Usando a famosa”piscadinha” do farol alto, a pessoa te vê e espera, ou ao contrário, se for você quiser acelerar. Sim, isso já me fez evitar muitos acidentes!



E pra finalizar: Se for parado por policiais, não minta, por mais dura que seja a verdade, ou que possa te foder, a verdade, com eles, sempre ajuda. Porque de mentiroso o mundo está cheio e eles tem diploma contra a maioria. Mas ai já é assunto para outro texto por aqui.

Obs.: Sei que no meu tempo de menina “andarilha” do centro, a situação era melhor, hoje o crack, a bolsa família, a bolsa marmita, bolsa de água quente, enfim, fode muita coisa. Mas acredito que essas “regrinhas” nunca sairão de moda por lá.

Beijo, fui.

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