Moro
no centro há quase 26 anos. Ou pelo menos desde que me conheço por
gente.
Santa Cecília, Campos Elíseos, Barra
Funda ou Marechal, pode escolher o bairro do meu CEP, mas essas são
suas possíveis opções.
Ao falar para amigos, colegas e
conhecidos que moro ali, no foco, no centrão, na “cidade” como
alguns chamam, muitos me perguntam: “Nossa deve ser foda morar ali
né?”, “Você não tem um pouco de medo?”, “Eu acho que nunca
conseguiria morar ali”, dentre outras perguntas e comentários.
Quando ouço isso, logo penso: “Você
não sabe do que está falando.” E então pra alguns me dou o
trabalho de explicar, assim como você que está lendo agora esse
texto e vai entender um pouco essa vida de “centrista”.
Morar no centro é como estar numa escola da malandragem e comodismo ao
mesmo tempo. Em alguns momentos você até se torna precavido demais
ou neurótico quando vai para uma cidade pacata. Malandragem porque
você tem que saber lidar com todo tipo de gente, a todo momento em
diversas situações. E comodismo, porque você está perto de tudo,
não tem costume de fazer compras do mês e pode buscar pão as 03:00
da manhã que está tudo certo.
Existem algumas “regrinhas” para se
morar no centro, e por incrível que pareça, quando vejo alguém, eu
percebo quem não é do centro, quem não mora na região. Como?
Simples, pelas suas atitudes desesperadas ou pelas comportamento de
“bobão”.
Um exemplo claro disso é quando estou dirigindo (a
maior parte do tempo eu diria), ao avistar que o semáforo está para
fechar, eu já reduzo a velocidade e mantenho uma distância da faixa
de pedestres, sim, lá longe ás vezes, parando bem pra trás, você
pode fazer isso, não há nenhuma lei do transito que vá te multar
por isso! Assim, tenho um espaço bom para qualquer situação que
possa acontecer, ficando mais fácil eu “dar no pé”, e evito que
os “limpa vidros” / “Sujam vidros”(porque aquela água é mais suja que não sei o que) se aproximem, pois eles
vão ter que andar aquela distância, e quando você vai ver, tem o
“bairrista” que passa por você, cola na faixa, se tornando alvo
fácil, para supostamente limpar seu vidro, pedir dinheiro e afins...
ai então, pessoa se borra de medo, e começa a acelerar pra cima da
faixa, é de lei! E eu ali, na minha distância de boa, vejo e penso:
“esse não manja nada do centro”.

É preciso “se ligar”,
é preciso pegar as manhas e conhecer os pontos da cidade. Sei que
isso leva tempo, ainda mais pra quem não mora ou convive lá, mas
vai por mim, não fique “caçando borboletas”, faz cara de quem
sabe tudo do centrão e se joga!
Nunca, eu disse, nunca, fui
assaltada no centro. Quando mais nova vivia pra cima e pra baixo a
pé, sem medo de ser feliz. Sempre com minhas precauções, claro.
Mas sem medo de ir e vir. Porque ai está a chave do negócio: medo
atrai. Como diria “O Rappa”: Os cães farejam medo.
Ande com a
cabeça erguida, bolsa próxima de você, mas nada de enfiar a porra
da bolsa tão próxima ao corpo que parece que está no seu colo
feito bebê! Isso se torna um sinal de pouco conhecimento da região.
Sério. São esses pequenos e bobos sinais que “caguetam” que
você está fora do seu bairro, da sua área, “manja mano?”
rs.
Ao andar de cabeça erguida, você vê as pessoas, você
percebe de onde alguém pode vir. Cabeça abaixada ou dura que nem
pau virada pra frente, vão te limitar. Saiba onde está, e quem está
a sua volta, se previna, pense além.
Não tenha pressa
demais, passos de “irmã de igreja” (porque usam saias que não
deixam dar passos largos / nada contra) com cú na mão, é outro
grande sinal de que está se “borrando” e se for assaltada não
saberá nem pra onde correr. Ande firme, atento e confiante. Isso
afasta quem pode pensar que você é um alvo fácil.
Ao se
sentir ameaçado por qualquer situação ou
pessoa, entre no comércio mais próximo, espere que a pessoa
passe/desista, e então siga seu rumo, nada de desespero, demonstre
“ligeirice”.
Rua escura? Sim, sempre bom evitar, afinal
nem mesmo eu que moro no centro tenho visão noturna, do tipo verde,
como em filmes. Mas também não é o fim do mundo e ninguém vai
ficar ali esperando VOCÊ passar. Sim, porque muitas pessoas acham
que no centro todo mundo está ali né, de bobeira só
esperando o bote, e claro, esperando você (#sqn). Não, o centro não
pára e as pessoas também não.
É isso, por enquanto.
Ah! Só
mais uma coisa: utilize o farol alto, a noite, quando estiver
passando no amarelo, ou até mesmo num cruzamento onde a preferencial
é sua. As pessoas “cagonas” que estão andando no centro - tá
bom vai, cagonas não, com pouca experiência - elas sempre aceleram
e não esperam o seu sinal fechar por completo para que possam
cruzar. Usando a famosa”piscadinha” do farol alto, a pessoa te vê
e espera, ou ao contrário, se for você quiser acelerar. Sim, isso
já me fez evitar muitos acidentes!
E pra finalizar: Se for
parado por policiais, não minta, por mais dura que seja a verdade,
ou que possa te foder, a verdade, com eles, sempre ajuda. Porque de mentiroso
o mundo está cheio e eles tem diploma contra a maioria. Mas ai já é
assunto para outro texto por aqui.
Obs.: Sei que no meu tempo de menina
“andarilha” do centro, a situação era melhor, hoje o crack, a
bolsa família, a bolsa marmita, bolsa de água quente, enfim, fode
muita coisa. Mas acredito que essas “regrinhas” nunca sairão de
moda por lá.
Beijo, fui.